Padmakara | Grupo de Tradução

Kyabje Kangyur Rinpoche (1898 – 1975)

Mestre budista de enorme realização e erudição, entre os mais importantes do século XX que, ao fugir para Índia, trouxe consigo incontáveis texto raros e importantes do canone budista, por forma a preservá-los da destruição sistemática de mosteiros, bibliotecas e livros, levada a cabo no Tibete, durante a invasão e Revolução Cultural Chinesa. É graças à sua visão e inspiração que surgiu a Padmakara, para preservar e tornar acessível o Dharma.

Apresentação | A nossa missão

 

O Grupo de Tradução Padmakara foi fundado na Dordogne, França, em 1987, por Taklung Tsetrul Pema Wangyal Rinpoche, o qual, em conjunto com Jigme Khyentse Rinpoche, mantém a sua direção.
 

A Padmakara é uma organização sem fins lucrativos que se consagra a salvaguardar, traduzir e publicar os ensinamentos budistas. O seu principal objetivo é preservar e tornar acessíveis ao público ocidental os ensinamentos essenciais da literatura budista clássica e contemporânea, particularmente as obras ligadas à filosofia e à prática.

 

Para alcançar os seus objetivos, a Padmakara (internacional e lusófona) definiu as seguintes áreas de atividade:
 

·  Traduções – fiéis e precisas – de textos budistas tibetanos e de ensinamentos orais;

·  Publicação e distribuição destas traduções, seja através das edições Padmakara, seja através de outros editores;

·  Salvaguarda de textos através da catalogação, manutenção e reprodução de manuscritos, exemplares xilográficos e livros impressos em língua tibetana;

·  Registo, edição e distribuição de ensinamentos orais dados por mestres contemporâneos, em formato áudio e vídeo;

·  Transcrição dos ensinamentos orais e respetiva distribuição em formato digital e impresso;

·  Área de audiovisuais para apoio aos ensinamentos e retiros: sistemas de som, de registo vídeo, tradução simultânea, etc.

 

Kyabje Dilgo  Khyentse Rinpoche (1910 – 1991)

Mestre budista de enorme realização e erudição que foi um dos professores principais da primeira geração de tradutores da Padmakara. Graças às suas viagens ao ocidente, durante os anos 80, nomeadamente à Dordogne, França, contribuiu para a fundação dos primeiros centros de retiros aí.  Para aqueles que o conheceram, ele era o Dharma em pessoa, a perfeita personificação dos ensinamentos que transmitia e dos mestres das linhagens que ele detinha. 

A génese | Origens e Contexto Histórico
 

À medida que no ocidente crescia o interesse pelos ensinamentos do budismo tibetano, cresceu igualmente a necessidade de criar suportes que não só permitissem tornar estes ensinamentos acessíveis ao público, mas que também pudessem veicular o seu verdadeiro significado.
 

No decorrer do séc. XX, em diversos países, textos budistas tibetanos foram traduzidos principalmente por académicos ilustres, precursores nesse domínio. Contudo, apesar de esses académicos possuírem um amplo conhecimento teórico da língua tibetana, nas suas traduções encontravam-se erros de interpretação graves que, em grande parte, se verificavam por dois motivos: o primeiro era uma atitude subjacente a algumas pesquisas universitárias, nas quais se enfatiza a necessidade de se evitar um envolvimento pessoal com o objeto de estudo; e o segundo, ligado ao primeiro e ainda mais relevante, era a ausência de contacto entre estes tradutores e a tradição da explicação oral. 
 

No ocidente, o hábito de nos relacionarmos com os textos como se estes contivessem a maioria das informações necessárias ao leitor é muito comum. Porém, em grande parte da literatura budista tibetana, os textos são um auxiliar à memória, ou uma ferramenta de aprendizagem que fornece apenas um esqueleto, o qual ganha corpo através de explicações detalhadas dadas oralmente por mestres, e transmitidas ao longo de gerações. Certos textos foram condensados ao extremo, tornando-se assim profundamente herméticos; outros fornecem comentários mais ou menos extensos, mas também não foram concebidos para conter todo o conjunto de informações necessárias para a sua compreensão plena; e outros, ainda, foram redigidos de forma a serem acessíveis aos estudantes consoante as diferentes fases de progresso em que se encontrem. Tudo isto explica por que razão um tradutor deve ter sempre acesso à tradição oral viva, quando se almeja realmente transmitir o significado correto do texto. Assim sendo, compreender as passagens de um texto, frequentemente obscuras, não deveria ser um trabalho de interpretação pessoal baseada apenas no conhecimento da língua. As passagens contêm significados precisos, sendo necessário recorrer a explicações de eruditos que tenham, eles próprios, recebido ensinamentos orais completos sobre um determinado texto. 
 

Outras traduções foram empreendidas, desta vez por praticantes budistas que trabalhavam  seguindo a tradição e em contacto com os mestres detentores da linhagem de transmissão oral. Todavia, os seus textos eram deficitários em termos de clareza e de estilo linguístico. Frequentemente, estes tradutores não tinham treino na própria língua materna, imersos que estavam, anos a fio, numa cultura diferente e geograficamente distante. Surgiram, assim, traduções que, não só careciam de vocabulário consistente, como eram permeadas por uma sintaxe híbrida e tortuosa, o que resultava em textos desagradáveis à leitura, e cuja qualidade literária não fazia jus ao respetivo conteúdo. Além disto, deixavam a impressão de que tanto o assunto quanto a linguagem eram inacessíveis.
 

Foi necessário abrir um novo caminho, recorrendo a tradutores que tivessem domínio da língua tibetana e trabalhassem em proximidade com mestres autênticos, ao mesmo tempo que tivessem uma experiência pessoal sólida no budismo e a capacidade de escrever num estilo claro, preciso e, tanto quanto possível, elegante. Foi exatamente da aspiração de satisfazer esta necessidade que a Padmakara nasceu.
 

K. Dudjom Rinpoche (1904-1987)

Mestre budista, primeiro líder da escola Nyingma, eleito pela sua incontestável realização e erudição. Esteve entre os primeiros mestres tibetanos a visitar o ocidente frequentemente, acabando por se estabelecer na Dordogne, França, tornando-se um dos principais mestres e orientadores dos tradutores da Padmakara. Ele era a personificação da bondade e compaixão e tanto a sua presença como os seus ensinamentos, uma infinita fonte de inspiração.

A Evolução | Os tradutores da Padmakara
 

A Padmakara foi fundada nos anos oitenta, por iniciativa de Pema Wangyal Rinpoche.  A primeira obra publicada foi a tradução francesa do célebre texto de Patrul Rinpoche, kun bzang bla ma'i zhal lung (séc. XIX), sob o título Le Chemin de la Grande Perfection, a cargo de Christian Bruyat (1950-2018), em 1987. Esta publicação, fruto de anos de pesquisa e de centenas de esclarecimentos dados por grandes lamas, foi alvo de um excelente acolhimento, tendo sido louvada pelo seu rigor e pelo estilo simples e elegante, ao ponto de alguns leitores pensarem que se tratava de um texto original francês. Foi, por isso, constituída como um modelo a ser seguido em futuras traduções da Padmakara, no sentido de estas serem tão fiéis quanto possível, mas redigidas num estilo fluido e natural à língua de destino. 
 

Desde a génese da Padmakara que os seus tradutores são pessoas que estudam e praticam o budismo há numerosos anos - a maioria realizou um ou mais retiros de meditação tradicionais, de três anos - e que, por conseguinte, possuem conhecimento prático e teórico daquilo que traduzem. Conscientes da necessidade de um esforço constante para evitar os erros anteriormente cometidos, os tradutores mantêm uma relação próxima com mestres e eruditos autênticos, e um envolvimento pessoal diário com a prática. No que toca à tradução e escrita, a ênfase é colocada numa forma de expressão clara e rigorosa, sempre baseada no significado do texto, enriquecida através de trocas de experiência, provenientes de um trabalho de equipa.
 

Nos primeiros cinco ou seis anos, foram traduzidos uma dúzia de livros em francês e inglês; aos quais se juntaram um grande número de breves textos de prática. Pema Wangyal Rinpoche desejava desenvolver uma base sólida e oferecer traduções em tantas línguas quantas fosse possível. Desde 1994, surgiram várias traduções em alemão e em espanhol. O trabalho prosseguiu, disponibilizando atualmente também textos em português, italiano, holandês, polaco e também alguns em chinês, nepali e hindi. A aspiração da Padmakara é continuar a expandir o leque de línguas de tradução.
 

K. Trulshik Rinpoche (1923 – 2011)

Mestre de mestres como S.S. Dalai Lama, foi um dos últimos grandes mestres que completou os seus extensos estudos, treino e prática no Tibete e a dedicar os seus últimos anos a viajar pelo ocidente, transmitindo inúmeros textos e iniciações, especialmente na Dordogne, mas também em Portugal. Kyabje Trulshik Rinpche foi assim determinante no estabelecimento do Dharma no ocidente, além de uma fonte inspiração e orientação inestimável.

  

A Padmakara em Portugal​
 

A Padmakara funciona em Portugal ao abrigo da Fundação Kangyur Rinpoche, com a qual desenvolve vários projetos. Ainda que o ramo lusófono tenha sido estabelecido formalmente apenas em 2017, há vários anos que tradutores portugueses trabalham em associação com a Padmakara Internacional, tendo publicado várias obras essenciais do budismo, como A Via do Bodhisattva de Śāntideva, O Caminho da Grande Perfeição de Patrul Rinpoche, etc. através de outras editoras. 

Contamos com uma equipa em evolução, de tradutores praticantes e dedicados, trabalhando com os tradutores experientes da Padmakara internacional e, como sempre, juntamente com mestres e eruditos tibetanos. Desta forma, esperamos concretizar a nossa aspiração de oferecer aos leitores de língua portuguesa traduções fiéis e rigorosas, e também inspiradoras desse vasto cânone budista, que tarda em estar disponível em português. 
 

S.S. o XIV Dalai Lama

Líder de todas as escolas do budismo oriundas do Tibete, respeitado pela sua erudição, realização e carisma. Pelo seu exemplo e orientação direta, S.S. é uma das principais inspirações do Grupo de Tradução da Padmakara, o qual já traduziu várias das suas obras. Por seu lado, S.S. foi o autor de vários prefácios das nossas traduções do tibetano, indicando a relevância dos textos originais para o estudo do budismo, e apoiando os nossos esforços de preservação e difusão do Dharma. 

  

Ausência de fins lucrativos
 

A Padmakara é uma associação sem fins lucrativos e o ramo lusófono é primariamente constituído por voluntários.

O processo de tradução de textos budistas a partir do tibetano é moroso, pelo que o conceito clássico de rentabilidade editorial não pôde ser sustido. O preço de revenda dos livros publicados não tem qualquer proporcionalidade com o verdadeiro custo de produção. Só os donativos e apoios externos podem garantir aos tradutores condições de trabalho satisfatórias.

No que toca ao ramo lusófono, como a maioria dos tradutores são voluntários, mantendo paralelamente um emprego para garantir o seu quotidiano, os projetos tendem a demorar bastante tempo para se concretizarem.

Ainda assim, mais recentemente, graças ao apoio da Fundação Khyentse, foi possível pela primeira vez arrancar com um projeto de tradução de fundo.

 

No entanto, o potencial da Padmakara em português está ainda a desabrochar, e gostaríamos de o convidar para apoiar esta missão de disponibilizar o Dharma na língua portuguesa.

 

Seja um Patrocinador do Dharma
 

É urgente encontrar um financiamento regular que estabeleça uma base estável para esta atividade. A tradução de textos budistas exige mais cuidado e tempo do que uma tradução comum e há um volume enorme de textos por traduzir.

A Padmakara deseja apoiar melhor os seus tradutores, para que se possam consagrar a esta atividade, idealmente, a tempo inteiro. Ainda nos falta muito para alcançar este objetivo. Contamos consigo!
 

Saiba como pode fazer a diferença aqui.